O GRITO SILENCIOSO

Abismo de abusos se vê
Na contenda parlamentar do dia
Ninguém em mais ninguém crê
Renegam para famintos o Pão-Nosso de cada dia
O chefão de barriga cheia
Mente até debaixo da cama
A verdade na sua fala não permeia
Só se vê do Palácio escorrer a lama
Nunca se viu tanta trama, tamanho roubo
Espalhados pelo país a oprimir o povo
Das palavras brotam o engodo
Saído de mirabolante e podre ovo
Só a TU e a TU o povo pede
Enganado com tão execrável roubalheira
Abra a janela do céu e mede
Sofrimento do agreste à cordilheira
Mande gente honesta
Ouvir o povo no seu choro
Nesta eleição que ainda resta
Coloque nela seu Dedo de Ouro
Orça o grito surdo-potente
Do povo triste, desiludido
Vele o futuro da brasileira gente
Cansado dos atuais mandatários ser iludido
Autor: Placidino Brigagão

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